Não existe desenho de graça!

Eis aqui um texto do genialíssimo Morandini que redescobri na Web recentemente, e considero uma leitura OBRIGATÓRIA para todo mundo que pretende ganhar a vida desenhando:


GRÁTIS!!! - Logotipos, ilustrações e artes!
Por: Morandini

30 Jun 2008 Blog do Morandini

"Não me peça para dar a única coisa que eu tenho para vender"(Cacilda Becker)

Aposto que a palavra GRÁTIS do título chamou a atenção, não é? Ah, eu sabia! Essa palavra é mágica! Receber algo bacana sem pagar nada por isso deve ser muito bom…
Nós, designers, (bota aí também os ilustradores e artistas gráficos) adoramos o que fazemos. Ninguém entra nessa área sem ter, no mínimo, muuuita paixão pelo que faz (particularmente, além da paixão, tenho um tesão indecente pelo design e um amor quase doentio por desenhar, criar e projetar). Isso leva muitas pessoas a confundir trabalho com prazer.

Nesses quase 23 anos de atuação profissional através do meu próprio estúdio, perdi a conta de quantos clientes, amigos e desconhecidos (!) me pediram logotipos, ilustrações, 'desenhinhos' ou 'pequenos favores' de graça. A maioria foi delicadamente recusada mas, confesso aqui publicamente meus pecados: já atendi alguns desses pedidos… Tá legal, vou falar a verdade… Já atendi VÁRIOS desses pedidos! (tenho culpa de ter muitos 'amigos'?) Mas também tenho de dizer que, depois de longo 'tratamento' :) já estou quase curado dessa incômoda patologia!
E, não estou falando de filantropia, pois quando identifico trabalhos sociais bem intencionados, faço questão de atender e ajudar. Falo de pedidos sem remuneração, feitos para atender necessidades pessoais, comerciais e corporativas. Coisa que vai gerar retorno, seja de imagem, de público ou até mesmo financeiro (lucro, grana, dinheiro!!!).

Ao longo desses anos, esses pedidos assumiram as mais variadas formas e vieram disfarçados sob os mais diversos argumentos. Seguem os mais comuns:

> Não precisa ter pressa… Quando você tiver cinco minutinhos sobrando você faz…

> No momento a grana está curta, mas assim que der retorno a gente acerta!
> Faça esse trabalho de graça e no próximo eu nem pergunto o preço!
> Pagar eu não posso, mas vou divulgar seu nome para todo mundo!
> Você poderá divulgar seu nome junto com o desenho ou colocar sua assinatura na arte!
> Isso pra você é moleza…
> Tenho um amigo que faz de graça mas quero dar a oportunidade para você!
> É uma parceria: você faz de graça agora e ganha lá na frente!
> Faça uns esboços. Se eu gostar a gente acerta um preço.
> Não precisa ser nada muito caprichado…
> Faz aí depois a gente acerta!
> Ah, mais isso é diversão para você! Você faz brincando! (Vai dizer isso para uma 'profissional do sexo' para ver o que ela responde…).

Todas essas frases e pedidos me levam a acreditar que essas pessoas que pedem coisas de graça acham que:

> Eu não me alimento, não tenho contas para pagar e meu carro é abastecido com ar.

> Meus softwares são de graça e recebo meus computadores e equipamentos como doação.
> Minha conexão de internet é feita através de telepatia.

> Eu desenho por diversão, crio logotipos por prazer e projeto coisas apenas para ocupar o tempo.

> As ideias nascem na cabeça por geração espontânea.

> O Governo não me cobra impostos.

> Acho livros e material de pesquisa na rua (além de não me cobrarem ingressos em exposições e eventos).

> Recebi uma herança (grana pra nunca mais ter de trabalhar!) e resolvi virar uma espécie de 'Madre Tereza de Calcutá' do design, fazendo apenas caridade…

> Meu dentista, meu contador, minha faxineira e todos aqueles que prestam serviços para mim, trabalham por prazer, sem cobrar um centavo!

No 'mundo real', porém, a matéria prima do meu trabalho é uma equação muito bem balanceada. Ela é composta de TEMPO (um bem muito precioso!), IDEIAS (fruto de mais de 30 anos de estudo e uma vida inteira de experiências), PROFISSIONALISMO (coisa rara nos tempos atuais) e CONHECIMENTO (resultado de todos os trabalhos feitos até hoje e de MUITA pesquisa).Isso tudo tem um valor. O valor que, quando é pago, reverte em benefícios enormes para quem me contrata, gerando muito retorno institucional e financeiro.

Design não é caro. A forma com que se investe nele (pagando por ele) é diretamente proporcional ao grau de seriedade que uma pessoa tem em relação ao seu empreendimento, seu pequeno negócio e sua própria imagem.

(Copyright - Morandini 2008)


Enfim, fica aí a lição: "gasto" é uma coisa, e "investimento" é outra ;-)

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